segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A metade vazia




Se sentia a metade vazia
Uma angústia que não cabia e nem sabia de onde vinha
Da mesma forma que vinha, ia
Um buraco, talvez vazio, talvez uma falta
Tudo era a mesma coisa, não sabia se explicar. Apenas se sentia, vazia
Uma solidão cheia de pessoa, rostos, vozes, risadas, alegrias, vitórias
Mas mesmo com tudo isso se sentia inha, pequenininha, tristinha, infelizinha e sozinha
A outra metada cheia nem sabia de onde vinha. Se um dia ela poderia chegar e acabar com essa dor
A metade vazia era a parte que doía. Era a parte que não se sentia. Só sabia que doía
Doía fundo. Bem naqueles dias, doía. Naqueles dias que a dor decide aparecer e parece não querer ir embora
A dor chegava sem hora marcada, vinha chegando e derrubando muros e mudando tudo
Geralmente a noitinha a metade vazia vinha e fazia companhia
Chegava a hora de dormir, a parte vazia não queria
Mas era dormindo que esperava poder encontrar a metade de tudo que lhe faltava e que um dia talvez pudesse fazer parte dessa imensidão chamada vazio de não se sentir parte de lugar algum...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Feliz estou



Poesia boa é a que te trás de volta. Pro lugar de onde nunca deveria ter saído.

Eu tento tanto me fazer feliz.

Pode falar que eu não ligo. Eu estou rindo e assim vou seguindo.

Eu não vou voltar atrás.

O medo já não cabe mais. A culpa ficou na estrada.

Se eu sigo é porque acredito.

Eu que já não via nada. Achava que tava certa, hoje vejo que estava errada.

Hoje já vejo o lado bom.

Até a dor valeu a pena.

Pode me chamar de louca. 

Se eu sigo feliz hoje, é porque tenho encontrado a chance de cantar no tom que eu permito me encaixar.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Que seja doce

Vou ser feliz, sem me importar com o que isso irá causar aos outros… o importante é que não estou fazendo mal a ninguém, pelo contrário! Estou apenas enterrando as impurezas e toxinas da minha vida e deixando brotar uma bela e frutífera árvore, e que seja doce. — Caio Fernando Abreu

terça-feira, 2 de julho de 2013

Às vezes só falta

Às vezes, falta alegria. Às vezes, falta coragem. Às vezes não existe nada além do que um nó no peito.
Às vezes, só falta. Qualquer coisa falta, dentro.
Falta um não saber. Falta um choro. Falta um abraço. Falta uma palavra. Falta amor. Falta se importar. Falta muitas coisas.Falta onde há falta. Falta...
Uma falta que de tanta falta que faz, mal consigo descrever essa falta que faz. Uma falta de quem quer mudar, mas nem sabe por onde começar.
Talvez começar a descrever, ou escrever. Será que vou conseguir me achar na falta das palavras certas?
Quem sabe o que eu esteja procurando da falta, ache por aqui, na próxima letra, talvez na próxima palavra. Meu coração acelera.
A minha eterna busca do não saber. Corro pra achar, quando acho não tenho certeza. E quando tenho certeza esbarro talvez em outra saída que me parece mais lógica.
Onde será que essa falta pode me levar? E se não for exatamente isso? Como vou recomeçar? Em quem ou em que devo confiar?
Aqui nesse lugar seguro chamado escrita posso me expressar. Sem ser julgada. Mesmo que pareça confuso esse lugar entre o não saber e o saber demais, mesmo que não tenha lógica é aqui na escrita que pretendo me encontrar.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Voar


Um estado de silêncio
Um silêncio que preenche quando acaba o turbilhão de barulhos
Barulhos que dão medo
Mas silêncio é solidão

E só na solidão é possível compreender que não precisamos ficar só
Vejo pessoas falando a respeito de coisas que talvez elas nem saibam
Sabem muito mas nunca viveram
Sem vivencia o saber não pode ser real

Real é tudo aquilo que eu não vejo, aprendi
Não aprendi lendo, até li, mas não aprendi
Aprendi vivendo, real é tudo aquilo que não posso tocar

Ilusão é tudo que posso tocar e ver
Real ou não, ilusão ou não
É tudo uma questão de visão

Abrir os olhos da alma que estão cegos de tanta escuridão
Pedir quase implorando que não se sabe, mas se quer saber
Para onde vai dar essa estrada pouco importa, o que importa é partir

Disposição e coragem para enfrentar que muito da estrada vai além do que se vê
Uma decisão de partir sem olhar para trás

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.

Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Do lugar onde estou já fui embora

É preciso de calma. Mesmo quando tudo corre. 

É preciso correr quando tudo pede calma 

É respirar fundo 

É ver que o certo e o errado pode mudar com um simples movimento de pescoço 

É ver o outro lado

 É se perdoar por não ser o que se quer 

 É desejar sem saber exatamente como chegar lá 

 É chegar lá e ver que ainda não se alcançou tudo que se quer

 É continuar buscando, sem saber exatamente o que 

 É ter vontade de desistir 

 É silenciar 

 É não ver 

 É não crer 

 É chorar

 É ser vítima 

 É se levantar 

 É colocar em prática tudo que aprende 

 É lastimar, mas sempre continuar 

 É não concordar questionando o acordar 

 É vir por aqui, é não ir por ali 

 É sentar, refletir e seguir 

 É não saber de onde vem tanta sede

 É se permitir errar 

 É ter vontade de desistir e mesmo com vontade não desistir

 É não ver lógica, nem resultado 

 É julgar, sem se punir 

 É se perdoar 

 É não ver saída 

 É sem saída ver que existe uma ida além 

 É um desejar da alma que impulsiona, sempre pra frente 

 É sem saber exatamente pra onde ir, mas saber que tem que ir

 É não se importar com os desafios no caminho 

 É certeza 

 É querer fazer melhor 

 É o desespero de não estar fazendo o que é preciso ser feito 

 É sorrir e ver que “Do lugar onde estou já fui embora”


* Ps: A frase "Do Lugar onde estou já fui embora" é de Manoel de Barros